Doutrina da Trindade

Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – A Doutrina da Trindade

Olá Querido Leitor, Paz e Graça. Este pequeno material tem a finalidade de expor a você os Rudimentos da fé cristã. A palavra “doutrina” significa ensinamento. E nestes pequenos textos, buscarei sintetizar o maior número possível de doutrinas bíblicas, para que você fique familiarizado, e assim crescer na graça e no Conhecimento de Deus. Procurei escrever de maneira simples e bem clara os ensinos, sempre bem munidos de base escriturística, trazendo sempre, os textos bíblicos que darão embasamento as Doutrinas aqui expostas. Em nenhuma doutrina frisarei minha ideias particulares, mas procurarei usar a Palavra para acurar a mais límpida verdade. Tenho por certo que existem verdades cristãs que devem estar na mente e coração de cada autêntico servo de Deus.

Procurei ser o mais simples possível ao compilar este trabalho, haja vista que nesses últimos dias muitos, no afã de se tornarem mestres acabam dando ouvidos a demônios, se esquecendo da simplicidade que há no verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Que a graça do Senhor nos ajude e que possamos crescer nela com a ajuda do Santo Espírito. Quero lembrar vos sempre a exortação paulina: “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não provem, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne” (Cl.2:20- 23).

A DOUTRINA DA TRINDADE

A Doutrina da Trindade é uma das mais importantes Doutrinas Bíblicas e está fundamentada basicamente sobre duas premissas:

1) O monoteísmo é uma verdade;

2) A divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, também é uma verdade. Portanto, temos um único Deus, mas três pessoas.

A Bíblia Sagrada ensina de forma clara e explicita que existe um único Deus (Dt 6.4; Mc 12.29- 32). O apóstolo João, conhecido como apóstolo do amor, diz no seu Evangelho: “Ora a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

João registrou essas palavras ditas pelo Senhor Jesus Cristo, deixando claro que existe um único Deus Verdadeiro, neste versículo a expressão Deus Verdadeiro está claramente associada à pessoa do Pai. Na declaração de Jesus, o Pai é o único Deus Verdadeiro. Porém, o mesmo João que escreveu o  Evangelho que leva o seu nome, escreveu também na sua Primeira Epístola Universal no capítulo 5 e versículo 20: “Também sabemos que o Filho já veio, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro. E estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Essas palavras afirmam categoricamente a divindade de Jesus:Ele é o Verdadeiro Deus e a vida eterna.

Podemos observar que o mesmo João que escreveu no Quarto Evangelho, foi o autor da 1ª Epístola a que referimos. Assim sendo, ele atribui a palavra Deus Verdadeiro, tanto à pessoa do Pai, como à pessoa do Filho. Esses textos são provas claras de que o apóstolo João conhecia a Unidade Composta de Deus, ou seja, a unidade de essência de Deus como sendo único e verdadeiro, composto por pessoas, neste caso: Pai e Filho. Não estou dizendo que o Pai seja o Filho, de maneira alguma, mas que o Pai e o Filho são duas pessoas como o próprio João declara: “Graça, misericórdia, e paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor” (2 Jo 1.3).

Agora se o Pai é chamado de Deus Verdadeiro (Jo 17.3),  Filho é chamado de Deus Verdadeiro (1 Jo 5.20) e o Espírito Santo é chamado de Deus (Atos 5.34), e, no livro do Profeta Isaias, no capítulo 43 versículo 10 e 11 lemos: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi, para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador;” Se existem três pessoas chamadas na Bíblia de Deus Verdadeiro e a própria Bíblia não admite outro deus ou Deus, senão o Deus único, ou admitimos a pluralidade na unidade ou somos obrigados a admitir um politeísmo barato, insuportável e grosseiro.

O Unicismo (Movimento que nega as pessoas da Trindade, conhecido também como Modalismo.) tenta explicar o assunto desenvolvendo a teoria das três manifestações. Seria um único Deus Verdadeiro que se manifestara em três formas, ora como Pai, ora como Filho, ora como o Espírito Santo. Essa teoria unicista não encontra sustentação na verdade bíblica, já que na Bíblia encontramos passagens deixando claro que são pessoas distintas e não meras manifestações (Jo 1.1-3; 8.16-18; 15.26).

O apóstolo João diz: Quem é o mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho (1 Jo 2.22). Embora esses versículos foram escritos para proteger a Igreja do gnosticismo, nos ensina que não podemos negar a personalidade das pessoas. Quem nega que Jesus é o Cristo, quem nega a personalidade do Pai e a personalidade do Filho é classificado como mentiroso, contrário a Cristo, já que negar essas verdades bíblicas são características da doutrina do espírito do anticristo e não do cristianismo ortodoxo.
Algumas seitas por não compreenderem o mistério de Deus-Cristo, criaram uma teoria ―racionalista paradoxal negando a divindade de Cristo e a pluralidade na unidade divina (1 Tm 3.16).  

Assim desenvolveram um sistema doutrinário peculiar, ou seja, a crença em duas divindades, uma todo-poderosa, chamada de Jeová e outra menos poderosa ou apenas Poderosa, chamada de Jesus. Esse ensino caí de vez no politeísmo, ou seja, a crença em duas ou mais divindades. Algo que é impensável na Doutrina cristã monoteísta. Bem diz o Credo Niceno e Atanasiano: Pois da mesma forma que somos compelidos pela verdade cristã a reconhecer cada Pessoa, por si mesma, como Deus e Senhor. Assim também somos proibidos pela religião católica (universal) de dizer: Existem três deuses ou três senhores.
A crença num Deus eternamente subsistente em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo contempla a realidade bíblica sem ferir o monoteísmo ético. Não enveredamos para o politeísmo nem para a negação das pessoas. Assim, a Doutrina da Trindade não é irracional e antibíblica como querem os grupos não ortodoxos, mas é plenamente bíblica e verdadeira.

Quando Tertuliano, escritor cristão de língua latina (pai da Igreja), cria a expressão “Trinitas”, que significa Trindade, ele não estava criando a Doutrina da Santíssima Trindade, uma vez que esta doutrina é bíblica e está provada no contexto bíblico desde o Pentateuco que data de cerca de 1400 a. C. e em toda a Bíblia.

Um outro problema levantado pelas seitas que rejeitam a Doutrina Trinitariana é aplicar as passagens bíblicas que se referem ao Filho como homem, para contradizer sua natureza divina. Ignoram que o Senhor Jesus possui duas naturezas: a divina e a humana, assim, essas seitas apresentam as passagens bíblicas que provam a humanidade de Jesus para negar a sua divindade, sendo que essas passagens não contradizem sua divindade, apenas provam sua outra natureza, a humana. Assim como as passagens que revelam a divindade de Jesus não contradizem sua natureza humana, mas simplesmente revelam sua outra natureza a divina, já que o Filho possui duas naturezas, verdadeiro homem (1 Tm 2.5) e verdadeiro Deus (1 Jo 5.20) (União Hipostática).

Credo NicenoAssim afirma o Credo Niceno acerca de Jesus: “Igual ao Pai no tocante à sua Deidade, e inferior ao Pai no tocante à sua humanidade.”
No importante documento intitulado Tomo de Leão, que foi bispo de Roma (440- 461) a parte III diz:  “Assim, intactas e reunidas em uma pessoa às propriedades de ambas as naturezas, a majestade assumiu a humildade, a força assumiu a fraqueza, a eternidade assumiu a mortalidade e, para pagar a dívida de nossa condição, a natureza inviolável uniu-se à natureza que pode sofrer. Desta forma, o único Mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, pôde, como convinha à nossa cura, por um lado, morrer e, por outro, não morrer…” e na parte IV diz:

“Neste mundo fraco entrou o Filho de Deus. Desceu do seu trono celestial, sem deixar a glória do Pai, e nasceu segundo uma nova ordem, mediante um novo modo de nascimento. Segundo uma nova ordem, visto que invisível em sua própria natureza, se fez visível na nossa e, Ele que é incompreensível, se tornou compreendido; sendo anterior aos tempos, começou a existir no tempo; Senhor do universo revestiu-se de forma de servo, ocultando a imensidade de sua Excelência; Deus impassível, não se horrorizou de vir a ser carne passível; imortal, não recusou as leis da morte. Segundo um novo modo de nascimento, visto que a virgindade, desconhecendo qualquer concupiscência, concedeu- lhe a matéria de sua carne. O Senhor tomou, da mãe, a natureza, não a culpa. Jesus Cristo nasceu do ventre de uma virgem, mediante um nascimento maravilhoso. O fato de o corpo de o Senhor nascer portentosamente não impediu a perfeita identidade de sua carne com a nossa, pois Ele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem. Nesta união não há mentira nem engano.

Corresponde-se numa unidade mútua a humildade do homem e a excelsitude de Deus. Por ser misericordioso, Deus [divindade] não se altera; por ser dignificado, o homem [humanidade] não é absorvido. Cada natureza [a de Deus e a de servo] realiza suas próprias funções em comunhão com a outra. O Verbo faz o que é próprio do verbo; a carne faz o que é próprio à carne; um fulgura com milagres; o outro se submete às injúrias. Assim como o Verbo não deixa de morar na glória do Pai, assim a carne não deixa de pertencer ao gênero humano… Portanto, não cabe a ambas as naturezas dizerem: ―O Pai é maior do que eu ou ―Eu e o Pai somos um Pois, ainda que em Cristo Nosso Senhor haja só uma pessoa. Deus-homem, o princípio que comunica a ambas as naturezas as ofensas é distinto do princípio que lhes torna comum a glória…”

O autor cristão Robert M. Browman Jr., declara com muita propriedade e profundo senso de responsabilidade: Existe a escolha, portanto, entre crer no Deus verdadeiro conforme Ele se revelou, com mistérios e tudo, ou crer num Deus que é relativamente fácil de ser compreendido, mas que tem pouca semelhança com o Deus verdadeiro, Os trinitários estão dispostos a conviver com um Deus a quem não conseguem compreender plenamente, já que adoramos a Deus conforme Ele se tem revelado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS ACERCA DA TRINDADE

Finalmente, declaramos com toda a confiança a nossa fé bíblica na doutrina da Trindade, porque:

  • Aceitamos a doutrina de acordo com o que expõe a Bíblia Sagrada (Mt 28.19; Ef 4.4-6; 1 Co 12.4- 6; 2 Co.13.13; Nm 6.24-26);
  • Não somos politeístas, já que cremos num único Deus, e não aceitamos nenhuma divindade inferior ou superior, além de Deus; (Dt 6.4; Mc 12.29; 1 Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6);
  • Não somos idólatras, já que não temos nenhum outro deus diante do único Deus; (Êx 20.2-3; Is 43.10-11);
  • Não aceitamos o paganismo, e encontramos fartamente no paganismo a crença em duas ou mais divindades. Ex; Júpiter (o deus supremo dos romanos ou o deus todo-poderoso dos romanos) e Mercúrio (divindade inferior ou deus poderoso); ou para os gregos (Zeus, o deus todo-poderoso e Hermes o deus apenas poderoso), crença similar à das testemunhas-de-Jeová: Jeová, o Deus Todo- Poderoso e Jesus, o deus poderoso;
  • Não aceitamos o critério da razão para conceber a divindade, já que Deus não é concebido por meio de um raciocínio humano, nem por uma demonstração matemática. Deus não é fruto da inteligência da carne, Ele é Deus de mistério (Is 45.15; 1 Tm 3.16);
  • Se o Cristianismo fosse alguma coisa que estivéssemos inventando, é óbvio que poderíamos torná-lo mais fácil. Não conseguimos concorrer, em termos de simplicidade, com as pessoas que estão inventando religiões. Como poderíamos? Estamos lidando com fatos. É óbvio que qualquer um pode simplificar as coisas se não precisar levar em conta os fatos! (C. S. Lewis).

QUADRO DEMONSTRATIVO DA TRINDADE DE DEUS

Doutrina da Trindade

“Porque três são os que testificam no céu: O Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (IJo.5:7) Tradução Almeida Revista e Corrigida.

No Próximo artigo, falarei sobre a Cristologia, Se Você não quer perder, se cadastra no formulário abaixo que te avisarei quanto o artigo estiver pronto.

Em Cristo.

Pr. Altemar Oliveira

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