O que é o Espírito Santo

O que é o Espírito Santo – Pneumatologia

O que é o Espírito Santo Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Aula 3

Olá meus irmãos em Cristo, Paz e Graça.

Chegando com a nosso terceiro artigo sobre as Doutrinas da Bíblia, semana passada falamos sobre a Cristologia, e hoje falaremos sobre a Terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, o termo técnico para este estudo é Pneumatologia e faz parte da Teologia Sistemática, grade integrante em nosso Curso Bacharel em Teologia.

Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade

Este é nome aplicado à terceira pessoa da Trindade Santa. Apesar de se nos dizer em Jo 4.24 que Deus é Espírito*, o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. O termo hebraico com o qual Ele é designado é Ruach, e o grego, é Pneuma, ambos os quais, como o vocábulo latino spiritus, derivam de raízes que significam “soprar”, “respirar”.

Daí, também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego”, Gn 2.7; 6,17; Ez 37.5, 6, ou “vento”, Gn 8.1: 1 Rs 19.11: Jo 3.8. O Antigo Testamento geralmente emprega o termo “espírito” sem qualificativos, ou fala do “Espírito de Deus” ou “Espírito do Senhor”, e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em Sl1.11; Is 63.10, 11,enquanto que o Novo Testamento esta veio a ser uma designação da terceira pessoal da Trindade. É um fato notável que, enquanto o Antigo Testamento repetidamente chama a Deus “o Santo de Israel”, Sl 71.22; 89.18; Is 10.20; 41.3; 48.17, o Novo Testamento raramente se aplica o adjetivo “santo” a Deus em geral, mas utiliza freqüentemente para caracterizar o Espírito. Com toda a probabilidade isto se deve ao fato de que foi especialmente no Espírito e Sua obra santificadora que Deus se revelou como Santo. É o Espírito Santo que faz Sua habitação nos corações dos crentes, que os separa para Deus, e que os purifica do pecado. Louis Berkhoff – Teologia Sistemática.

O Espirito Santo é uma Pessoa? A personalidade do Espírito Santo

As expressões  “Espírito Santo” e “Espírito de Deus” não demontram de forma clara o suficiente a personalidade da mesma forma que o termo “Filho” o faz. Ademais, não há relatos no texto sagrado onde a pessoa do Espírito Santo aparece de forma pessoal, e discernível entre os homens, do modo como aconteceu com a pessoa do Filho, por isso há divergencias acerda do Espirito Santo em toda a História da Igreja. e Por isso, a personalidade do Espírito Santo em diversas ocasiões foi posta em cheque, por isso, merece uma atenção especial. A personalidade do Espírito foi negada na Igreja Primitiva pelos monarquistas e pneumatomaquianos,  seguidos pelos socianos nos tempos da Reforma Protestante.

Muitos, ainda hoje sugerem que as passagens que parecem implicar a personalidade do Espírito Santo simplesmente contêm personificações do mesmo. Mas as personificações certamente são raras nos escritos do Novo Testamento, e podem ser reconhecidas com bastante facilidade. Ademais, essa explicação evidentemente destrói o sentido de algumas dessas passagens como, por exemplo, Jo 14.26; 16.7-11; Rm 8.26.

A prova Escriturística acerca da personalidade do Espírito Santo é mais que suficiente para o cristão sincero:

(1) Designativos próprios de personalidade Lhe são dados. Embora pneuma seja um termo neutro, o pronome masculino ekeinos é utilizado como referência ao Espírito Santo em Jo 16.14; e em Ef 1.14 algumas das melhores autoridades têm o pronome relativo masculino hos. Além disso, é-lhe aplicado o nome Parakletos, Jo 14.26; 15.26; 16.7, termo que não pode ser traduzido por “conforto”, “consolação”, nem pode ser considerado como nome de alguma influência abstrata. Um fato que indica que se trata de uma pessoa é que o Espírito Santo, como Consolador, é colocado em justaposição com Cristo como o Consolador que estava para partir, a quem o mesmo termo é aplicado em 1 Jo 2.1.

Veja o Texto de João 16:14

“O Espírito me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará.” Jo 16:14 King James Atualizada

ἐκεῖνος ἐμὲ δοξάσει, ὅτι ἐκ τοῦ ἐμοῦ λήμψεται καὶ ἀναγγελεῖ ὑμῖν. Westcott and Hort 1881

ekeinos eme doxasei hoti ek tou emou lēmpsetai kai anangelei hymin  – Texto Grego Transliterado

(2) São atribuídas ao Espírito Santo, características de pessoa, como inteligência, Jo 14.26; 15.26; Rm 8.16, volição, At 16.7; 1 Co 12.11; e sentimentos, Is 63.10; Ef 4.30. Ademais, Ele realiza atos próprios de personalidade. Ele Sonda, fala, testifica, revela, luta, cria, intercede, vivifica os mortos, etc, Gn 1.2; 6.3; Lc 12.12; Jo 14.26; 15.26; 16.8; At 8.29; 13.2; Rm 8.11; 1 Co 2.10, 11. Alguém que realiza estas coisas não pode de maneira alguma ser uma simples força ou influência, mas é de fato uma pessoa.

(3) O Espírito Santo é apresentado nas páginas das Escrituras como alguém que mantém relacionamentos interpessoais, que implicam Sua própria personalidade. Ele é colocado na justaposição com os apóstolos em At 15.28, com Cristo em Jo 16.14, e com o Pai e o Filho em Mt 28.19; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.1, 2; Jd 20, 21. Uma exegese honesta, exige necessariamente que nestas passagens o Espírito Santo seja considerado uma pessoa, veja:


“Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destes preceitos necessários” Atos 15:28 King James Atualizada

ἔδοξεν γὰρ τῷ πνεύματι τῷ ἁγίῳ καὶ ἡμῖν μηδὲν πλέον ἐπιτίθεσθαι ὑμῖν βάρος πλὴν τούτων τῶν ἐπάναγκες, Westcott and Hort 1881

edoxen gar tō Pneumati tō Hagiō kai hēmin mēden pleon epitithesthai hymin baros plēn toutōn tōn epanankes  –Texto Grego Transliterado

A relação do Espírito Santo com as outras pessoas da Trindade

As primeiras controvérsias acerca da Triunidade Divina levaram os pais da Igreja à conclusão de que o Espírito Santo, assim como o Filho, é da mesma essência do pai e, portanto,  consubstancial com Ele. E a longa discussão acerca da questão, se o Espírito Santo procedeu somente do pai ou também do Filho, foi finalmente firmada pelo Sínodo de Toledo em meados de+- 589, pelo acréscimo da palavra “Filioque” (e do Filho) à versão latina do Credo de Constantinopla: “Credimos in Spiritum Sanctum qui a Patre Filioque procedidit” (“Cremos no Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho”).

Esta processão do Espírito Santo, resumidamente chamada espiração, é Sua propriedade pessoal. Muito do que foi falado a respeito da geração do Filho também se aplica à espiração do Espírito Santo, e não é necessário repetir. Percebam, contudo, os seguintes pontos de distinção entre ambas:

(1) A geração é obra exclusiva do Pai; a espiração é obra do pai e do Filho.

(2) Pela geração o Filho é habilitado a tomar parte na obra de espiração, mas o Espírito Santo não adquire esse poder.

(3) Segundo a ordem lógica, a geração precede à espiração. Devemos lembrar, porém, que isso tudo não implica nenhuma subordinação essencial do Espírito Santo ao Filho. Na espiração, como na geração, há uma comunicação da substância total da essência divina, de modo que o Espírito Santo está em igualdade com o Pai e o Filho. A doutrina da processão do Espírito Santo do Pai e do Filho baseia-se em Jo 15.26, e no fato de que o Espírito é chamado também o Espírito de Cristo e do Filho, Rm 8.9; Gl 4.6, e é enviado por Cristo ao mundo. Pode-se definir a espiração como o terno e necessário ato da primeira e da segunda pessoa da Trindade pelo qual elas, dentro do Ser Divino, vêm a ser a base da subsistência pessoal do Espírito Santo, e propiciam à terceira pessoa a posse da substância total da essência divina, sem nenhuma divisão, alienação ou mudança.

O Espírito Santo é Deus – Sua divindade

Podemos estabelecer a veracidade da divindade do Espírito Santo Tendo como base a Escritura seguindo uma linha de comprovação muito parecida com a que foi empregada com relação ao Filho, vejamos:

(1) São-lhe dados nomes divinos, Êx 17.7 (comp. Hb 3.7-9); At 5.3, 4; 1 Co 3.16; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21.

(2) São-lhe atribuídas perfeições divinas, como onipresença, Sl 139.7-10, onisciência, Is 40.13, 14 (comp. Rm 11.34); 1 Co 2.10, 11, onipotência, 1 Co 12.11; Rm 15.19, e eternidade, Hb 9.14 (?).

(3) Ele realiza obras divinas, como a criação, Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4, renovação providencial, Sl 104.30, regeneração, Jo 3.5, 6; Tt 3.5, e a ressurreição dos mortos, Rm 8.11.

(4) É-lhe prestada honra divina, Mt 28.19; Rm 9.1; 2 Co 13.13.

A Obra do Espírito Santo

De muito maior importância e que não falamos ainda é a obra do Espírito Santo no tocante a redenção. Aqui podemos ser mencionar os seguintes pontos:

(1) O preparo e a qualificação de Cristo para a Sua obra mediadora: Ele preparou para Cristo um corpo e, assim, capacitou-o a tornar-se um sacrifício pelo pecado, Lc 1.35; Hb 10.5-7. Nas palavras “corpo me formaste”, o escritor de Hebreus segue o texto da Septuaginta. O sentido ali é: Pela preparação de um corpo santo, me capacitaste a ser um sacrifício pelo pecado. Em seu batismo Cristo foi ungido com o Espírito Santo Lc 3.22, e recebeu do Espírito Santo dons habilitadores sem medida, Jo 3.24

(2) A inspiração da Escritura: O Espírito Santo inspirou as Sagradas Escrituras e deste modo trouxe aos homens a revelação especial de Deus, 1 Co2.13; 2 Pe 1.21, o conhecimento da obra de redenção que há em Cristo Jesus.

(3) A formação e o aumento da igreja: O Espírito Santo forma e dá crescimento à igreja, o corpo místico de Jesus Cristo, pela regeneração e pela santificação, e habita nela como o princípio da nova vida, Ef 1.22, 23; 2.22; 1 Co 3.16; 12.4s.

(4) Ensino e direção da igreja: O Espírito Santo é aquele que dá testemunho de Cristo e guia a igreja em toda verdade. Em fazendo isto, Ele manifesta a glória de Deus e de Cristo, aumenta o nosso conhecimento acerca do Salvador, livra a igreja do erro e a prepara para o seu destino eterno, Jo 14.26; 15.26; 16.13, 14; At 5.32; Hb 10.15; 1 Jo 2.27.

Por Hora ficaremos por aqui, semana que vem, volto com mais estudo pra Voce.

Soli Deo Gloria

Pr. Altemar Oliveira

Livros que utilizados neste breve artigo:

Teologia Sistematica – Vincent Cheung

Teologia Sistematica – Louis Berkhof

Apostila de Teologia Sistemática – FATEOS

Pr. Altemar Oliveira

Palavras Pesquisadas neste artigo:

Pneumatologia, Teologia Sitemática, Doutrina da Trindade, Divindade do Espírito Santo, TJ acredita no Espírito Santo

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