Estudo Bíblico – Como Interpretar o livro de Apocalipse

Paz e Graça, nesta quinta série de nosso estudo, quero falar sobre Como Interpretar o livro de Apocalipse, se você ainda não viu os artigos anteriores sobre o Livro de Apocalipse, veja agora  Vamos lá então:

A interpretação do livro de Apocalipse é um ponto de contenda entre os comentaristas. De maneira geral, há três diferentes escolas de interpretação; que são (1) os Preteristas, (2) os Interpretadores Históricos, e (3) os Futuristas. Os Preteristas sustentam que toda, ou pelo menos grande parte da profecia já se cumpriu com luta entre a Igreja e Roma, tendo a vitória da Igreja como resultado final.

Tal interpretação é muito abstrata e é objetada por comentaristas ortodoxos. Os Interpretadores Históricos defendem que a profecia abrange toda a história da Igreja, mostrando como as malignas forças do mundo lutam contra a Igreja. Essa interpretação foi muito popular durante os tempos da Reforma e ainda era fortemente defendida no século dezenove. Especialmente com o surgimento de Napoleão, essa visão foi reconhecida como a interpretação final.

Dentre os Protestantes, pessoas que têm essa visão consideram o Papa e a Igreja Romana como sendo o anticristo e a Besta. O próprio Martinho Lutero tomou essa visão. Mas os comentaristas da Igreja Católica tomaram a visão oposta e reconheceram o Protestantismo como o Anticristo.

Eles até mesmo declararam ter encontrado o número 666 no nome de Martinho Lutero. Muitos do povo de Deus no final do século dezoito e no começo do século dezenove criam que Napoleão cumpria o personagem mencionado em Apocalipse 13. E muitos dos números no livro foram tomados arbitrariamente como um período fixo de profecia; por exemplo, o numero de três anos e meio foi considerado uma representação da tribulação na sua própria história corrente.



Os Futuristas mantém a ideia de que a maior parte da profecia ainda está para se cumprir no futuro. A partir do capítulo 4, nem mesmo uma letra foi cumprida. Os capítulos 2 e 3 falam da Igreja. Só depois que o período da Igreja for cumprido é que qualquer coisa depois do capítulo 4 pode ser cumprida. Os capítulos 6-19 referem-se a eventos que acontecerão no tempo das últimas sete das setenta semanas de Daniel. E as últimas sete semanas de Daniel não podem começar sem que a história da Igreja esteja
completada. Essa interpretação é a mais satisfatória, pois é a que mais coincide com as profecias encontradas em outras passagens da Bíblia. No entanto, nós não temos a intenção de contender por uma opinião! De fato, que possa o Senhor sempre nos afastar disso. O que desejamos é a Sua verdade. Que o seu Espírito nos guie para dentro de todas as verdades e nos habilite a entender a palavra de Deus.

É inevitável que haja muita discussão sobre a interpretação do Apocalipse entre essas três escolas. Mas o nosso alvo, como já deixamos claro, é saber o que Deus quer que saibamos, e não contender em defesa de qualquer escola humana ou opinião. Portanto, nós não vamos apresentar todos os argumentos, nem contra nem a favor. Embora eles pudessem ser bem-vindos por algumas pessoas, não seriam edificantes.

Como Interpretar o livro de Apocalipse

Umas poucas palavras, entretanto, precisam ser ditas para demonstrar que existe falibilidade tanto na interpretação dos Preteristas quanto na dos Históricos. Os Preteristas mantêm a ideia dos Professores Racionalistas. Ninguém, na Igreja dos primeiros séculos, acreditou nisso. Pois isso limitou os horizontes de João a ver somente a perseguição dos Cristãos por Roma. Isso reduz a profecia a um simples valor alegórico, e meramente prediz a derrota dos romanos. Os Interpretadores Históricos, por outro lado, adormecem o mais solene aviso da Bíblia Sagrada direcionado às pessoas do final dessa era, com a
finalidade de que não possamos conhecer o que a ira de Deus será. Sejamos, pois, esclarecidos a respeito do que a Bíblia realmente ensina.

Em I Coríntios 10:32 Paulo divide a humanidade em três principais categorias: Judeus, Gentios, e a Igreja de Deus. Durante os tempos do Velho Testamento não havia Igreja, pois ela foi estabelecida pelo Senhor somente no período do Novo Testamento. Uma vez que o livro de Apocalipse é o último livro da Bíblia e que por essa posição ele é a soma de todas as Escrituras, é natural que ele nos mostre como será o fim dessas três categorias de pessoas. Os Preteristas, no entanto, sustentam que o Apocalipse relata apenas a história passada das lutas da Igreja.

Os Interpretadores Históricos também, limitam a profecia à experiência da Igreja depois do tempo de João. Ambos abraçam a Igreja e deixam passar os Judeus e os Gentios. Essa visão é muito parcial e faz da revelação de Deus um livro imperfeito. Se concordarmos com as suas interpretações, nós seremos
deixados na escuridão quanto ao futuro fim dos Judeus e Gentios. Mas nós devemos esperar ver no último livro da Bíblia:

(1) O caminho que a Igreja vai trilhar na terra e sua futura glória;

(2) A proteção dos remanescentes dos Judeus por Deus ao longo da Grande Tribulação e o seu recebimento das bênçãos de Deus prometidas por meio dos profetas; e

(3) O julgamento dos Gentios que pecaram e não creram, assim como a alegria desses Gentios que vierem ao Senhor.

Não quero aqui argumentar qual é a interpretação certa e qual é a errada. É claro que deve haver uma verdadeira interpretação que esteja de acordo com todas as profecias do Antigo e do Novo Testamento e que nos seja de proveito espiritual. Onde podemos encontrar essa verdadeira interpretação? Qualquer resposta está no livro em si. O que esse livro de Apocalipse nos conta é sobremodo confiável. Nós não precisamos gastar muito tempo pesquisando as interpretações e idéias das diferentes escolas. Nós podemos até mesmo deixar de lado tais termos como “os Preteristas” ou “os Futuristas”. A melhor maneira é buscar as escrituras diretamente. Pois eu creio que, nas páginas do livro de Apocalipse, nosso Senhor Jesus Cristo tem nos dado a chave para a sua própria interpretação.

Como Interpretar o livro de Apocalipse A Chave Para Interpretar o Livro

Em cada livro da Bíblia, há um versículo-chave, pelo qual todo o livro pode ser aberto. E por isso nós esperaríamos encontrar o verso-chave no Apocalipse a fim de termos também o esboço desse livro. Onde está esse versículo? O Senhor Jesus pessoalmente comandou João que escrevesse esse livro; então, vejamos como João recebeu essa comissão: “escreve, pois, as coisas que viste, e as coisas que são, e as coisas que serão depois dessas” (1.19). O Senhor deu a direção para João escrever três elementos: Primeiro, as coisas “que [João] viste”; segundo, “as coisas que são”; e terceiro, “as coisas que serão depois destas”. E João escreveu de acordo. No momento em que ele estava para escrever, ele já havia tido uma visão; por isso, a primeira coisa que ele devia escrever era o registro da visão que ele tinha acabado de ver. João continuou então a mencionar “as coisas que são” e concluiu com “as coisas que serão depois dessas”. E, assim, esse único versículo da Escritura faz alusão às coisas do passado, do presente e do futuro.

Três Principais Divisões do Livro de Apocalipse

Tomando isso como uma chave, então, o livro de Apocalipse deve ser dividido em três partes principais. Com vinte e dois capítulos no livro, como são feitas as três divisões? Antes de tocarmos na primeira e segunda divisões, comecemos olhando para a terceira divisão. Há um versículo no capítulo 4 que evidentemente indica que a terceira divisão começa naquele capítulo: “Depois dessas coisas,” disse João, “eu vi, e eis uma porta aberta no céu, e a primeira voz como de trombeta, que eu ouvi falar comigo, disse: sobe aqui, e te mostrarei as coisas que devem ser depois dessas” (4.1). “As coisas que devem ser depois
dessas” devem ser coisas depois desses três capítulos. Apocalipse 1.19 indica que a terceira divisão fala das “coisas que devem ser depois dessas”, e as coisas que João viu do capítulo 4 em diante são de fato “as coisas que devem ser depois dessas”.

Dessa forma, é evidente que a sua terceira divisão do Apocalipse começa no capítulo 4 ( e desde que o livro tem apenas três divisões, a terceira divisão deve ser do capítulo 4 ao 22). Isso deixa apenas os primeiros três capítulos para a primeira e segunda divisões do livro. Apocalipse capítulo 1 é concernente ao que João viu. O versículo 11 diz “o que vês, escreve-o em um livro”, e no verso 19 João é ordenado que “escreve, pois, as coisas que viste”. Entre esses dois versículos João viu a visão, a qual constitui aquilo que ele viu. A primeira divisão do livro é, por isso, o capítulo 1. Desde que aprendemos que todo o livro pela sua própria indicação deve ser dividido em três divisões principais, e já que também aprendemos que a primeira divisão é o capítulo 1 e que a terceira divisão vai do capítulo 4 até o fim do livro, pode-se racionalmente concluir que a segunda divisão principal do livro deve ser os capítulos 2 e 3. Nesses capítulos nós encontraremos “as coisas que são”, as quais são as coisas concernentes à Igreja.

João viveu na era da Igreja, e por isso a Igreja é reconhecida como “as coisas que são”. Os capítulos 2 e 3 dão a história profética da Igreja do seu começo ao seu fim. Começa com os Efésios abandonando o seu primeiro amor (2.4) e termina com os Laodicences sendo vomitados da boca do Senhor. A historia inteira da Igreja está dessa forma sendo delineada por essas sete igrejas locais. Desde que “as coisas que devem ser depois dessas” seguem “as coisas que viste” e “as coisas que são”, os conteúdos registrados do capítulo 4 em diante devem esperar até que a história da Igreja possa ser cumprida para que sejam cumpridos. Embora hoje o fim esteja de fato se aproximando, nós devemos admitir que a Igreja ainda existe na terra; e que, dessa forma, o seu tempo ainda não está totalmente cumprido.

Esse é o ensino das Escrituras. Apocalipse 1.19 é de fato a chave que destranca o mistério que rodeia esse livro. E, a partir deste verso, nós temos agora obtido uma verdadeira interpretação.

Próxima Aula: A Mensagem, o Estilo e a Natureza do Livro de Apocalipse

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Altemar Oliveira é Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião. Diretor e professor na Faculdade de Teologia Solascriptura e Faculdade Teológica Batista Plena Comunhão. É Pastor da Igreja Batista Plena Comunhão em São Paulo Outras obras do autor:  Israel, Solo Sagrado por Excelência, Material, 2006.  Israel, A Coroa de Todos os Povos, Material, 2006.  Missão Integral, a Igreja como agente do Reino de Deus, 2013  Compêndio de Teologia e Religião, 2013